Formação de Professores
Formar professores para Angola
A Fundação Calouste Gulbenkian e a Escola Superior de Educação de Setúbal promovem projeto de apoio ao desenvolvimento do ensino básico em Angola. A iniciativa prolonga-se até 2010.
O Magistério Primário de Benguela foi a instituição escolhida para o arranque do projeto. Lá mais para a frente, explica Nelson Matias, da Escola Superior de Educação de Setúbal, está previsto que se estabeleçam relações com os restantes magistérios primários do país e a generalização desse apoio. O objetivo do projeto, salienta o responsável, "é apoiar a atual reforma do ensino primário em Angola - reforma curricular e reforma de 4 para 6 anos de escolaridade básica obrigatória - através do apoio à formação de professores primários daquele país".
O projeto surgiu através de um convite da Fundação Calouste Gulbenkian, com quem a Escola Superior de Educação de Setúbal já colaborou em diversos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e arrancou em 2006, tendo uma duração prevista de 4 anos.
Durante este período, este projeto de formação de formadores de professores primários abrangiu várias componentes. Ao nível do apoio material e organizacional está prevista a criação de um centro de recursos educativos (CRE), que "passa pela aquisição de equipamentos, pela formação de técnicos e professores responsáveis e pelo apoio à organização do centro, que deverá contemplar uma dimensão de produção de materiais pedagógicos", explicava Nelson Matias. Naquele momento, estava a decorrer a aquisição de livros e outros materiais e equipamentos sendo que a "instalação do CRE está prevista para o final deste ano civil, com a chegada dos recursos a Benguela em outubro", adianta.
A formação de técnicos e professores responsáveis pelo CRE realizou-se em Setúbal e continua agora em Benguela, prolongando-se durante 2008.
O projeto contemplou também uma componente de formação-ação e uma outra de produção de materiais pedagógicos, que se traduzem na formação dos professores do Magistério Primário de Benguela, abrangendo todas as disciplinas de metodologias de ensino, de prática pedagógica e de formação científica. Paralelamente, processou-se a produção conjunta de materiais de ensino que englobam guias metodológicos para as disciplinas da área de formação específica e módulos de formação para as disciplinas de formação profissional.
A componente presencial da formação de professores decorreu em Benguela e a partir do ano letivo seguinte houve também uma componente a distância, via Internet .
Uma outra vertente é a validação e a reformulação dos programas de formação de professores do ensino primário, bem como a divulgação junto de outros magistérios de materiais já desenvolvidos, a partir de 2009. Antes, Nelson Matias adiantou que seria realizado um workshop nacional, em Luanda ou Benguela, para o qual seriam convidadas agências internacionais de cooperação para o desenvolvimento e instituições de formação de professores primários de outros PALOP.
Para já os responsáveis centram-se nas principais necessidades. "Equipamentos, livros e outros materiais para o CRE de modo a garantir sustentabilidade ao Magistério Primário de Benguela, condições de produção própria de materiais pedagógicos e a criar condições para que possa ser também um recurso para a formação contínua de professores e para as escolas primárias da província.
O projeto é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Estado angolano. Neste momento, envolve vários professores do magistério primário em Benguela e outros professores da Escola Superior de Educação de Setúbal.
Fonte: Joana Silva Santos
24-08-2007